terça-feira, 10 de agosto de 2010

Em busca do pato perfeito


Passei todos aqueles dias na França renovando a expectativa: e o pato? Magret, foie gras ou coxa confitada, experimentei de tudo em todas as vezes que saímos para comer. Alguns estavam muito bons, outros nem tanto, alguns um tanto pálidos, outros mais tostados. Alguns de chefs famosos, outros de bistrôs mais simples. Mas nenhum proporcionou aquele arrepio de êxtase que o paladar de vez em quando procura.
Pois não é que agora deu? Fomos conhecer o C La Vie Brasserie, recém-inaugurado junto à Vino! para oferecer ao curitibano o talento e a criatividade do chef Erick Jacquin. É fruto de uma aproximação entre a a Vino! de Raphael Zanette e o Vin Bistro de Marcius Madalosso e Ronaldo Bohnenstengel. Durante dois meses os cozinheiros e pessoal de copa foram treinados no La Brasserie, a casa de Jacquin em São Paulo. A casa foi aberta sem nenhum alarde, para permitir ainda os ajustes finais entre os profissionais envolvidos e agora já está funcionando no maior pique. Lotada, inclusive, pelo boca-a-boca das boas notícias que se espalham por Curitiba.
O casarão histórico que abriga a Vino! passou por ampla remodelação, com uma frente envidraçada que dá ao cliente a sensação de estar num daqueles bistrôs de Lyon ou Paris. Jacquin divide seu tempo no vai-e-vem entre São Paulo e Curitiba e quando não está por aqui, o comando da cozinha fica a cargo do jovem chef Eduardo Marcondes.
De entrada, nos dividimos entre duas saborosas opções. Uma bem tradicional e muitíssimo apropriada para a fria noite, a Soupe à l'oignon gratinée (R$ 17)...
... e a outra com o sotaque básico bem brasileiro, mas com apropriadas inserções francesas na combinação final: Pupunha rôtie, raviolis de roquefort crème de noix (R$ 24). A pupunha crocante por fora e amanteigada por dentro, especial!

Como prato principal, Canard em cocotte, Chef Jacquin (R$ 59), na mesma conformação de um prato que faz sucesso no La Brasserie, o Canard em cocotte, Dr. Ricardo em deux services. O pato é cozido em fogo bem lento e chega à mesa se desmanchando, envolto por um molho tentador, combinação de duas ou três espécies de cogumelos.

É servido em duas etapas. Primeiro o magret, depois a coxa. Como acompanhamento, numa pequena panela, um macio e delicado purê de batatas.
E aí cheguei à conclusão que está por aqui, bem próximo, aquele pato perfeito que andei procurando lá pela França.
Ah, sim, de sobremesa nada mais francês que um Crème brûlée, com a casquinha crocante como deve ser – ao contrário de algumas nem tanto que se encontra por aí.
O cardápio é tentador, tanto que exige retorno breve para conferir outras opções ali expostas. Mais ainda pela possibilidade de acesso à obra de Erick Jacquin sem ter de ir a São Paulo.
Mas que o pato é inesquecível, lá isso é.

C La Vie Brasserie
Rua Comendador Araújo, 970 – Batel (Curitiba)
Fone: (41) 3029-9988

 

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